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quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Um Homem Célebre

Este conto, aqui adaptado para uma animação muito bem feita. Conta a história de Pestana, um compositor popular que queria ser erudito. Uma premonição do mestre Machado sobre o célebre Ernesto Nazareth.



Se puder, não deixe de ler O Enigma do Homem Célebre de Cacá Machado.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Um conto ateu (cont)

Um Ateu na Missa

Texto de Luis de Oliveira do blog Apenas um Ateu

Mas então começava o sermão do padre. Uma tentativa de passar bons valores embalados por superstições absurdas e uma visão totalmente arcaica do mundo. Ele buscava se distrair com qualquer coisa, algum inseto, o movimento na rua ao lado, procurava alguma pessoa na igreja que parecesse compartilhar o mesmo desespero pra se ver fora dali. Uma vontade tão óbvia que sempre levava leves esbarradas da mãe seguidas de um “Presta atenção!”.

Em seguida era hora da comunhão, Paulo fez a Eucaristia e então sempre ia comer a bolachinha e voltava para se ajoelhar assim como sua mãe, mas enquanto esta rezava ou algo do tipo, ele abaixava a cabeça e só conseguia pensar no quando aquilo era ridículo. Vieram as ofertas, e lembrou com certa nostalgia de como quando criança ele sempre pedia pra mãe para que pudesse colocar o dinheiro na sacola que os coroinhas iam passando de banco em banco, agora só pensava estar contribuindo contra a vontade para a disseminação de todo aquele grande equívoco que é a religião e em como ele poderia comprar algo de bom pra ele com aquele dinheiro.

Então tudo começava a se aproximar do fim. As últimas orações, leituras e músicas. As últimas levantadas, sentadas. O encerramento iminente sempre revigorava sua animação. Poderia aproveitar o domingo afinal. Sempre esperava que algumas pessoas começassem a partir em direção à porta antes de sair do seu lugar e então andava rápido, mas não muito.

Do lado de fora estava um belo dia. Esperava a mãe que sempre demorava mais um tempo conversando com outras mães. Mas a parte difícil havia acabado e mais alguns minutos não fazia diferença, o dia estava apenas começando e ele se via “livre” por mais uma semana.

“Graças a deus!”, pensava Paulo enquanto mantinha um sorriso sarcástico.

sábado, 23 de julho de 2011

Um conto ateu

Transcrevo o conto de Luis Oliveira, dono do blog Apenas um Ateu:


Um Ateu Na Missa

A tortura dominical de Paulo começava cedo. Sua mãe o acordava tão logo ela própria se levantava, pois sabia que acordar o filho não era uma tarefa fácil e não saia do lado de sua cama até que ele estivesse totalmente de pé, pois também sabia que se desse os cinco minutinhos que ele sempre suplicava, a batalha se tornaria ainda pior. Sabendo disso, Paulo nunca oferecia muita resistência, pedia mais um tempinho por pura força do hábito, mas se contentava em praguejar mentalmente enquanto tomava banho, café da manhã, se vestia e saia de casa acompanhando sua mãe para a missa na igreja do bairro.

Ela não sabia que ele era ateu, simplesmente achava que como todo adolescente ele tinha preguiça de acordar cedo. Ele nunca lhe revelou esse fato por saber o quanto isso a decepcionaria e, pior ainda, por saber que ela desempenharia uma verdadeira cruzada para convertê-lo. Conhecia a mãe e sabia o quanto era devota e não ia tolerar a possibilidade de seu próprio filho seguisse aquilo que ela acreditava ser o caminho para a danação eterna. Assim, todo domingo ele a acompanhava silenciosa e obedientemente.

Enquanto a costa era aos poucos destroçada pelo banco de madeira, Paulo sempre observava o ambiente. Via as idosas chegando, algumas pessoas vinham junto de toda a família, as crianças pequenas corriam e brincavam, deixando Paulo com inveja e saudades de quando podia fazer isso, era melhor do que fingir que leva toda aquela palhaçada a sério. Algumas músicas começavam a ser cantadas enquanto o padre se preparava pra sua entrada, o ritmo até que era legal, ele tinha que admitir. O que já tirava um pouco do sono remanescente.

Então tudo começava. Orações, leituras, mais músicas. Levantar, sentar, levantar de novo, sentar de novo, ajoelhar, levantar. Olhava para o relógio de hora em hora, mas só cinco minutos haviam passado e se sentia traído pelo tempo. Ia passando o dedo pelo panfleto que dão para acompanhar a missa (não importa qual o nome disso, pensava ele) e cada etapa passada era um alento.