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segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Poesia em prosa de Sergio Vianna

Cantata Italiana
Sergio Vianna (*)

Quando a angústia bate na porta da alma, escrever sempre foi um lenitivo razoável. Confesso que o remédio não está fazendo efeito. Até por conta de que a produção necessária encontra dificuldades para compor palavras nessas horas.

Nesses dias bicudos de prisões televisivas subordinadas à lógica da barbárie, tais fatos nos levam a tempos que pensávamos superados, como o da Inquisição. Não tem jeito, a gente vai se enganando enquanto acredita na evolução da maioria dos homens. Basta, porém uma recaída ao falso discurso moralista de nossas elites de sempre para acordarmos numa realidade cruel já instalada.

Lembro, entretanto que sempre haverá um dia depois da noite assustadora. Na expressão da dor concomitante à prisão injusta de Genoíno, por exemplo, veio à luz um fato que pareceu inusitado, embora estivesse à nossa frente e bastante visível: a ida de Pizzolato para a Itália.

A saída para terras italianas não mudou o humor, registro necessário. Houve, no entanto um insólito acendimento de uma pequena luz ao final desse túnel repleto de trem fantasma. E se a Justiça italiana resolver examinar a falsa denúncia? Não estariam nossos supremos juízes em risco iminente de uma exposição ridícula pelas suas ridículas decisões ilegais e estapafúrdias?

Dezenas de advogados e centenas de requerimentos e memoriais defenderam a tese do reexame prudencial do objeto pelos supremos senhores ministros. Alertaram – exaustivamente – para a necessária tarefa da boa fé e da razoabilidade, indicando-lhes o indispensável confronto real entre fatos e documentos com a representação acusatória que se demonstrava frágil. Sem dizer que outros milhares de blogueiros, jornalistas, intelectuais, acadêmicos, professores e trabalhadores produziram – durante um razoável período – o mesmo pedido de comedimento.

Ouvidos moucos produzem olhar vesgo e pensamento sinuoso. Ao não darem a menor pelota a tantos lembretes, nossos supremos juízes optaram pelo risco, aquele em que um tribunal italiano possa lhes pedir explicações e fundamentos para a denúncia e repressão aos réus levados – sob pompa e circunstância – ao espetáculo midiático da prisão.

Mais que a exposição internacional incômoda será o desmonte da trama kafkiana, destruindo o arietino engenho fálico que produziu tamanha barbárie jurídica a compor a conveniência de uma elite entorpecida pelo ódio, livrando todos os julgados e condenados que foram acusados pela mesma inautêntica incriminação.

Pouco se me dá se nossos supremos se mostrarão uns onagros. Apavora-me muito mais que o maior órgão público de nosso judiciário seja levado à sarjeta da indigência moral e assim contribuir para o aumento da síndrome de vira-latas que campeia o pensamento do indivíduo sem rumo político, situação que leva à degradação dos valores necessários ao acatamento do papel de nossas instituições republicanas.

E a melhor consequência seria o fim das injustiças cometidas contra pessoas que estavam num embate político, e que sob qualquer razão lógica não deveriam ser submetidas à humilhação e execração públicas, mas foram. Antes de a Itália agir, se é que o fará, há uma esperança em nossas próprias autoridades judiciais, as mesmas que cometeram esse latrocínio processual, que é o julgamento do processo que está sob a relatoria do ministro Lewandowski, depois de dormitar anos na gaveta do “segredo de justiça” decretado pelo Joaquim Barbosa. É lá que repousam em berço esplêndido os documentos mais contundentes que eliminam a hipótese de fraude criada por Gurgel e Barbosa na AP 470, escondidos que foram exatamente para a produção dessa hipocrisia que assistimos em toda a mídia canhestra dessa terra de lindas palmeiras, onde querem proibir o canto do sabiá. E você? Sabia que a sábia cantata do Sabiá pode ter um sotaque italiano?

(*) Sergio Vianna é funcionário do Banco do Brasil e Botafoguense.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Procurador Geral da República é muito lento

Ele foi aluno do prof.
Geraldo Brindeiro
Decididamente o demo-tucanato é danado pra dar sorte com Procurador Geral da República.

Na Era FHC tivera a "sorte" de ter como aliado à frente da PGR o saudoso (para eles) Dr Geraldo Brindeiro que de 626 inquéritos criminais que recebeu, engavetou 242 e arquivou outros 217. Somente 60 denúncias foram aceitas. As acusações recaiam sobre 194 deputados, 33 senadores, 11 ministros e quatro ao próprio presidente FHC.Por conta disso, Brindeiro recebeu o jocoso apelido de "engavetador-geral da república".

Depois da eleição de Lula, nosso saudoso presidente, como é cristão e, portanto, de bom coração, resolveu nomear o mais votado pelos seus pares, Antonio Fernando de Souza, que, diferentemente do atual, foi de uma gana impressionante contra o escândalo do caixa 2 de campanha também conhecido como "mensalão".

O atual PGR, Dr Roberto Gurgel, está com o processo que compromete o Exmº Sr senador da República, Demóstenes Torres, desde 2009. Longe de mim achar que S.Exª esteja agindo de má-fé. Vai ver foi alguma secretária desleixada que deve tê-lo esquecido em alguma gaveta de seu gabinete, impedindo o fofo jurista de enviar o mesmo para o STF.

Leia o resumo da reportagem do petista Estadão:

O PT e partidos aliados ameaçam representar contra o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, caso não encaminhe ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedido para investigar o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) e outros parlamentares citados na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, por sposto envolvimento com a máfia dos caça-níqueis.

A investida para pressionar Gurgel foi acertada neste domingo, 25, e é o primeiro passo de uma articulação para a abertura de processo no Senado contra o senador, que poderia resultar na cassação de seu mandato. A partir de uma denúncia formal ao STF, o PT e partidos aliados teriam fundamento para pedir ao Conselho de Ética da Casa que avalie a situação de Demóstenes.


Demóstenes é citado nas investigações por manter relações estreitas e receber presentes do empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, apontado pela PF como o chefe da organização criminosa de jogos de azar. Ele teria trocado mais de 300 telefonemas com o contraventor e admitiu ter recebido dele um celular especial para as conversas. Também estariam envolvidos com o empresário, preso em 29 de fevereiro, durante a Operação Monte Carlo, os deputados Carlos Alberto Leréia (PSDB), Jovair Arantes (PTB), Rubens Otoni (PT) e Sandes Júnior (PP).

Grampos de uma operação mais antiga da PF revelaram que Demóstenes pediu ao contraventor que lhe custeasse despesas de táxi-aéreo e vazou informações oficiais a ele. Apesar de ter recebido as gravações em 2009, a PGR não tomou providências a respeito, argumentando que aguardava a conclusão de investigações paralelas. Pinheiro disse ontem que o encaminhamento de uma denúncia ao STF também possibilitaria esclarecer se a demora de Gurgel foi "coisa normal do processo ou prevaricação".

Na última terça-feira, PT, PSB e PDT já haviam enviado a Gurgel pedido de abertura de investigação com o senador.

Fonte Estadão.com.br