quinta-feira, 26 de maio de 2011

O votação do Código Ambiental e a imbecilidade da esquerda brasileira

A maior demonstração de o quanto nossa esquerda é estúpida e ignorante foi quando liderados pelo excrementoso deputado Chico Papa Hóstia Alencar (PSOL-RJ) incitou a galeria apinhada de fanáticos do MST a cantar musiquinha lembrando o assassinato de dois ambientalistas do Pará. Pura chantagem emocional para que não se aprovasse o excelente texto do novo Código Ambiental de autoria do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP).

Os twitteiros lacerdistas tijucanos estão apopléticos. Dizem-se decepcionados com a presidenta Dilma. Essa gente vive decepcionada porque acha que foram eles que elegeram a presidenta. Esquecem-se que Dilma teve mais de 56 milhões de votos. Inclusive de gente que nunca viu um computador pela frente. Vergonhoso também foi ver parte da bancaca petista votando contra o projeto de olho nos votos marinistas da classe média lacerdista.

Mas é aquela tal história, a classe média esquerdista lacerdista tijucana não faz política por fervor revulucionário e, sim, por questões de vida social. O importante é estar bem com o grupo, ser simpático e dizer o que as pessoas que lhes interessam querem ouvir ou ler.  Isso pode até ser rendoso...

Mas, enfim, os produtores rurais que viviam na ilegalidade agora tem um agora estão trabalhando de acordo com a Lei. Isso se chama civilização, mas ao que tudo indica a esquerda lacerdista tijucana avermelhada gosta mesmo é da barbárie.

A propósito, leia AQUI - se quiser, se não quiser também azar o seu - o excelente artigo de Fabiano Santos que, aliás, é filho do grande intelectual Wanderley Guilherme dos Santos. O texto foi tomado emprestado do Oleo Clipping de Miguel do Rosário que vai ficar muito puto se souber que eu ando divulgando os textos dele no meu blog.

 Valeu, Miguelito!

14 comentários:

Joel Bueno disse...

Antes estar do lado do Chico Alencar e do Molon do que do lado da Katia Abreu e do Caiado...

Sérgio Vianna disse...

DILMA, PALOCCI E OS OMELETES

"A defesa de Palocci já custou caro para o governo: primeiro os ruralistas aprovaram o Código Florestal, em troca de não apertar o cerco ao ministro consultor; depois, Dilma cedeu à pressão da bancada religiosa e suspendeu o kit contra preconceito do Ministério da Educação. Esse foi o custo, no curto prazo.".

"Mais grave é o que pode ocorrer no médio prazo: a dissolução da base social que apoiou Dilma na eleição. Isso sim é grave, gravíssimo.".

"Os sinais já estão nas redes sociais. A militância que defendeu Dilma bravamente contra Serra durante a campanha suja de 2010, essa começa a abrir mão de apoiar o governo… O quadro pode ser revertido? Pode, com mudança de rumo. No ritmo atual, Dilma caminha para uma situação preocupante.".

=== Escrito por Rodrigo Vianna.

=== Leia o restante em:
( http://www.rodrigovianna.com.br/palavra-minha/dilma-palocci-e-os-omeletes.html )

=== ou www.rodrigovianna.com.br mais o título acima.

Sérgio Vianna disse...

Tudo na vida são opções.

Cada um faz as suas.

Como disse o Vianna (o Rodrigo), mas sob endosso deste Vianna:

"O problema é que, quando vier uma crise brava ou quando chegar a eleição de 2014, esses conservadores não estarão com Dilma.".

"Encontrarão outras alternativas. “Cada um com seus problemas” – dirão os banqueiros, os religiosos e a turma do agronegócio.".

"Dilma vai olhar pro lado e perguntar: cadê o meu povo?". "

Aí, pode ser tarde… Omeletes e Paloccis não vão resolver.".

Rodrigo Vianna
(no mesmo artigo citado no meu comentário anterior - SV)

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Se é uma questão de opção, não vou caminhar com Kátia Abreu e Ronaldo Caiado.

Esses dois são conhecidos até do "mundo mineral" (Mino).

Internautas de outros Estados - como eu - podem não conhecer Chico Alencar e Molon.

Mas os últimos seis ministros do Meio Ambiente (inclusive o Minc) estiveram juntos num mesmo ato de manifestação contrária a esse relatório do Aldo.

Já fiquei com o pé atrás.

Aí veio a explicação do texto aprovado pela Camara. Explicação do Aldo, sob patrocínio(?) do Paulo Henrique Amorim.

Então a dúvida se instalou de vez. A explicação do Aldo (veja em http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2011/05/25/aldo-nem-desmatamento-nem-anistia/), ou em Conversa Afiada.com.br e o título ALDO: NEM DESMATAMENTO NEM ANISTIA.

Quem se der ao trabalho de ler (com atenção) a tal nota de esclarecimento do relator vai perceber a quantidade de chicanas desse Código Florestal.

Vamos ficar só num detalhe: Assim que terminar a leitura da explicação do Aldo, faça a pergunta:

O pequeno agricultor vai entender essa quantidade de "SEs" desse emaranhado de artigos?

Entender no sentido de conhecer tantos detalhes do que pode ou não pode fazer e do que lhe será permitido se fizer antes isso mais aquilo a depender daquele ponto ou daquela situação e o que não pode ou o que não vale para agora mas antes de 2008 ou depois de 2011.

Que tal? Não entendeu esse meu último parágrafo?

Então vai lá na explicação do Aldo e veja se você entende que está garantido o dito no título da nota dele: "nem desmatamento nem anistia".

Marcio Tavares disse...

Pelos comentários toscos e bobocas da esquerda lacerdista vermelhosa tijucana passou a ser crime ser produtor rural. Argumentos toscos, esquerdistas pra quem não conhece essa galera das esquerdas.
Eu quero saber o quanto o Chico Papa Hostia Alencar produz de soja para servir de ração que alimenta o gado que me proporciona comer carne. Que eu saiba esse babaquara produz hóstia na igrja Santo Afonso.
Quero uma Katia Abreu produzindo alimentos e exportando e não quero esse fanático bobalhão que vai pro Congresso cantar musiquinha pra fazer chantagem emocional.
É burrice da grande colocar todos os produtores rurais no mesmo saco. Não é verdade que todos sejam bandidos, assim como nem todos os sindicalistas acordam meio dia e se elegem pra viajar com o dinheiro dos trabalhadores.

Marcio Tavares disse...

Essa de que a aprovação do Código Florestal foi pra blindar o Palocci e outra bobagem. A vitória foi esmagadora. Só uns gatos pingados votou com o progressista e comunista MST.

Kit gay, outra babaquice. A Dilma, diferentemente do Lula que sempre esteve cercado de padres e bispos é pernosa non grata perante a Igreja Pedófila. E o poder desses psicopatas ainda é muito grande no Brasil. Governar é saber o que poderá causar maior prejuízo/lucro político e a Dilma agiu muito bem - dentro desta perspectiva - recuando quando ao tal kit.
O Sergio escreve como se o governo Dilma já estivesse nos seus extertores. Ele tem que avisar pras pessoas normais que apoiam em massa o governo da presidenta que seu governo está naufragando. Tem que passar da ideia à ação, do contrário vai ser como o Lula que em 2005 foi abandonado por boa parte da esquerda lacerdista vermelhoa tijucana, mas depois, qual Phoenix, ressurgiu das cinzas pra se reeleger.
Xô, urubuzada! Pé de pato mangalô 3 vezes.

Sérgio Vianna disse...

Meu prezado Amigo Márcio!

Nossa vida é composta pelas opções que fazemos.

Cada qual faz a sua.

Se for pra acompanhar alguém, não vai ser ao lado de Kátia Abreu ou Ronaldo Caiado que você vai-me ver marchar.

Mas não se iluda. Eu respeitarei até a última gota o direito de escolha da água a ser bebida.

Livre Arbítrio é isso. E respeitar o Livre Pensar faz parte da minha convicção em relação ao meu semelhante.

Todo mafioso, bandido, explorador, rico e poderoso trabalha sim. E muito. Se fosse preguiçoso não chegava a lugar algum.

Se o Caiado é um grande cirurgião ortopédico ou a Kátia é uma mega produtora de soja, parabéns pra eles. Mas, as opções que fazem para proveito próprio em detrimento da maioria não acalentam meu coração.

Sei muito bem que meu pensamento pouco importa a eles. Mas esse não é o problema. Da mesma forma que o meu pensamento pouco importa aos que se arvoram donos do Partido dos Trabalhadores, que ajudei a fundar com meu quinhão de esforço e enfrentamento à ditadura.

Mas ele é obra coletiva. E de novo, o livre arbítrio da maioria é o que conta. Sou passado. O presente e o futuro preferem o Palocci e seus golpes, o Dirceu e suas artimanhas, o Delúbio e sua ausência do ridículo, o Gambiarra e seus estupros em família.

Quem dorme comigo é o meu travesseiro. É ele quem me ajuda a traçar meu padrão de comportamento. De interação com meus semelhantes. Com ele eu penso o que fazer, como fazer, com quem fazer, aonde fazer, quando fazer, as minhas opções de vida.

====== continua.

Sérgio Vianna disse...

continuação (2)

=====

E eu, Márcio, não escrevo sobre o apocalipse. Pela simples razão de ser um ignorante.

O texto ao qual você se refere é do Rodrigo Vianna, que não é meu parente.

Apenas concordo com a análise que ele faz sobre as opções da DILMA, sejam elas decorrentes do quadro confuso da nossa representação parlamentar, ou da perspectiva de futuro que ela enxerga.

O povão, a maioria absoluta dos brasileiros e brasileiras, está sim, muito satisfeito com o governo. E eu também. Não quer dizer que seja uma fotografia infinita. A política tem a consistência das nuvens. Basta não esquecer.

Por fim, os últimos seis ministros do Meio Ambiente, inclusive o Minc, ex-ministro de Lula, estavam juntos num protesto único contra esse novo Código Florestal.

Só por isso, já fiquei com um pé lá atrás.

E se você teve a paciência de ler a nota explicativa do Aldo Rebelo, publicada no Paulo Henrique Amorim, deve ter saído dela com a impressão de que ali tem chicana pra todo lado, o que só favorece quem pode pagar dezenas de advogados para enquadrar a atividade rural naquelas intermináveis interpretações de artigos que remetem à União, depois aos Estados, então aos municípios, à Lei geral, aos regulamentos daqui e dacolá e por aí vai.

Uma complexidade que não ajuda e não permite o pequeno e até o médio agricultor ou pecuarista se valer dos tais benefícios da bela inovação trazida ao mundo pelo Aldo Rebelo, que teve a pachorra de afirmar em alto e bom som, publicamente, que a presidenta DILMA está muito mal informada sobre o Código Florestal.

Pode até ser, Márcio. Pode até ser. Mas minha avó me alertava, ainda no século passado, que prudência não faz mal a ninguém. E não vejo como prudente aplaudir esse Código Florestal ao lado dos sorrisos e deboches (momento em que vaiaram o anúncio do assassinato do casal de ambientalistas no Pará) das Kátias, Caiados e acompanhantes do mesmo naipe.

======= continua.

Sérgio Vianna disse...

continuação (3)

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Não vejo, Márcio, talvez por ingenuidade, que Kátia e Caiado possam sorrir e se declararem felizes por uma votação em que outros senhores e senhoras de muito respeito se mostram céticos, ao menos céticos.

É a tal da opção, Márcio.

Não sei - por ignorância mesmo - quanto pode ou não pode desmatar, para garantir a sobrevida da natureza. Daí, tenho que optar por um caminho apontado pelos que dominam o tema. Dentre eles, vou com os mais saudáveis, a meu juízo, é claro.

Da mesma forma, não sei tocar nenhum instrumento musical e jamais arrisquei compor uma letra ou música. Mas meus ouvidos me levam a optar por composições que me agradam, e esquecer daquelas que me agridem. No entanto, há pessoas, acredite, que pensam o contrário, que preferem as que odeio e odeiam as que prefiro.

Nem por isso deixarei de respeitá-las, de lhes desejar um bom dia ou uma boa noite.

E uma boa tarde pra você, Márcio. Com carinho e muito respeito.

Sérgio Vianna.

Anônimo disse...

Joel, não é justo dizer isso. 410 deputados votaram pelo código. A orientação do PT e de todos os partidos de esquerda foi pelo sim.

Confira a relação:

http://www2.camara.gov.br/atividade-legislativa/plenario/chamadaExterna.html?link=http://www.camara.gov.br/internet/votacao/mostraVotacao.asp?ideVotacao=4648&numLegislatura=54&codCasa=1&numSessaoLegislativa=1&indTipoSessaoLegislativa=O&numSessao=123&indTipoSessao=E&tipo=uf

Sérgio Vianna disse...

O Deputado Federal Elvino Bohn Gass, do PT do Rio Grande do Sul, ajuda a entender a barafunda que foi a negociação do novo Código Florestal e mostra as derrotas sofridas ao longo de tanta negociação.

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Em fevereiro, quando cheguei à Câmara Federal, o tema do Código Florestal já estava posto. Uma Comissão Especial produzira um relatório que, assinado pelo deputado Aldo Rebelo (PCdoB/SP), estava pronto para ser votado.

A bancada federal do PT vinha tratando deste tema e já identificara problemas no relatório da Comissão Especial. Mas não éramos os únicos. Vários outros setores sociais começavam, aos poucos, a apontar divergências com o texto. A tal ponto que, mesmo sob os protestos da bancada ruralista, a presidência da Câmara optou por criar uma nova Comissão visando buscar uma proposta de consenso para o Código. Ganhamos um tempo precioso, mas insuficiente para o debate que, afinal, mostrava-se cada vez mais acirrado.

A estas alturas, na sociedade, já estava posta uma dicotomia: ruralistas X ambientalistas. Nada poderia ser mais pernicioso para um tema que, afinal, não envolvia apenas os grandes proprietários de áreas rurais, mas todos os que vivem em áreas onde ainda há algum naco de mata a ser preservada. No meu caso, pensava sempre nas conseqüências da legislação sobre a agricultura familiar, que defendo desde sempre.

O atual Código Florestal, efetivamente, deixa na ilegalidade, milhares e milhares de agricultores familiares que têm suas pequenas propriedades em beiras de rios e outras áreas definidas como de preservação permanente. Esta é uma realidade conhecida por muitos e reconhecida por outros tantos, inclusive organismos ambientalistas que sabem tratar-se de homens e mulheres cuja única renda é gerada pelas culturas agrícolas das suas pequenas extensões de terra.

Assim, todas as vezes que incidi sobre o novo Código, pensei em protegê-los, em tirá-los da ilegalidade, em garantir que sigam plantando. E comendo. Para mim, alterações no código florestal só se justificavam se visassem, exclusivamente, os homens e mulheres da agricultura familiar. E digo, exclusivamente, porque durante todo o debate, os ruralistas tentaram pegar carona em benefícios que seriam justos para a agricultura familiar (que é de baixo impacto ambiental e socialmente justa), mas absolutamente injustificáveis para quem tem grandes extensões de terra e lucros altíssimos, produzindo num modelo de agricultura nada sustentável.

A bancada do PT resistia. Entendíamos que diante da importância da lei, melhor seria ampliar cada vez mais o debate. Exigimos que o Governo Federal se posicionasse. Foi um movimento positivo. Ministros passaram a conversar com parlamentares diariamente na intenção de formatar um texto que garantisse o que, efetivamente julgávamos importante: que o Brasil conseguisse chegar a uma legislação que preservasse o meio ambiente e, ao mesmo tempo, se mantivesse como o grande produtor de alimentos do planeta. São essas, afinal, as grandes crises que precisamos enfrentar neste momento da história.

Foi o nosso esforço – da bancada do PT e do Governo Federal – que conseguiu fazer com que Aldo revisse alguns pontos do seu relatório. Ele apresentou, então, uma segunda versão que, se não era a melhor, ao menos garantia alguns pontos que considerávamos fundamentais.

(continua)

Sérgio Vianna disse...

(continuação - explicações oferecidas pelo Deputado Federal Elvino Bohn Gass PT-RS) - 2

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Fizemos o que foi possível. Não, é claro, sem sofrermos duríssimas críticas públicas por parte daqueles que, a pretexto de oferecer segurança jurídica à agricultura, nos acusavam de atrasar o desenvolvimento do país.

Finalmente, chegamos ao dia da votação. E se o texto aprovado – com a orientação favorável do Governo Federal e da bancada do PT – está longe de ser o ideal porque contém pontos que devem ser suprimidos por não garantirem a preservação ambiental, ao menos contempla aspectos para a proteção dos agricultores familiares.

A opção por aprovar o texto, mesmo com várias discordâncias, se deu em função das melhorias que o Governo e a bancada impuseram ao primeiro relatório. E, principalmente, das emendas (destaques) que o partido pretendia ver aprovadas em plenário.

As nossas emendas acabavam com qualquer possibilidade de anistia a criminosos ambientais (destaque 11 – ver arquivo anexo), impediam negociatas para burlar a exigência de reserva legal (destaque 12 – ver arquivo anexo), garantiam a remuneração para os agricultores que prestam serviços ambientais (destaque 14 – ver arquivo anexo) e, ainda, restringiam a regularização em massa (como queriam os ruralistas) de toda e qualquer área consolidada em várzea (destaque 4 – ver arquivo anexo). Com estas melhorias, teríamos um relatório razoavelmente equilibrado. Contudo, fomos derrotados.

O texto do Aldo, que fora aprovado momentos antes, não era o ideal, mas ainda garantia, por exemplo, que a supressão de vegetação em APPs ou a manutenção de atividades consolidadas nestas áreas, dependeriam de regulamentação do Governo Federal.

Mas a insaciabilidade dos ruralistas não tem limites. E numa articulação entre o PMDB, o DEM, o PSDB e alguns partidos da base governista, surgiu no Plenário uma emenda substitutiva, a famosa emenda 164 (ver arquivo anexo) que retirava todo o poder do Governo Federal no caso das APPs.

A bancada do PT votou “não” a esta emenda porque conceder aos Estados o poder de estabelecer os limites para as Áreas de Preservação Permanente (APPs) é quase o mesmo que anistiar os desmatadores. Ora, não é admissível que se retire do Governo Federal a prerrogativa exclusiva de legislar sobre as APPs porque isso descaracteriza por completo a própria necessidade de um Código Florestal de âmbito nacional.

Mas mesmo com 182 votos contrários, a emenda acabou aprovada por 273 deputados.

(continua)

Sérgio Vianna disse...

(continuação - explicações oferecidas pelo Deputado Federal Elvino Bohn Gass PT-RS) - 3

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Foi um voto dificílimo este do Código. Se, de um lado, havia coisas com as quais não concordávamos, de outro, praticamente todas as reivindicações dos agricultores familiares, que trabalhei muito para incluir no texto final, foram contempladas. Fizemos emendas para melhorar ainda mais o texto e tentamos impedir manobras que retiravam os avanços que, a duras penas, havíamos conseguido incluir. Infelizmente, a maioria da Câmara Federal não pensa como nós.

Eu poderia – e confesso que pensei nesta possibilidade – ter votado “não” ao texto e, hoje, simplesmente dizer que não concordo com nada do que foi aprovado. Seria cômodo, mas nada resolveria. Como deputado federal, sinto-me na obrigação de encontrar alternativas – para a minha agricultura familiar e para o ambiente que sempre tentei preservar.

Resta-me a certeza de que o debate sobre o Código Florestal, ainda não acabou. De minha parte, garanto que estarei ativamente nos debates do Senado. E me sinto tranqüilo com relação à posição que será adotada pela presidenta Dilma.

Punir quem agride o meio ambiente, garantir tratamento diferenciado à agricultura familiar e obrigar a recomposição de áreas desmatadas, são compromissos públicos da presidenta. No encontro que manteve com os ex-ministros do Meio Ambiente, Dilma já avisou que vetará qualquer privilégio a criminosos ambientais e que não entrará para a história como a presidenta que devastou as matas ciliares brasileiras. Ou seja, se na Câmara não conseguimos chegar a um Código Florestal mais equilibrado, continuaremos lutando para que o processo de discussão que ainda temos pela frente, se encarregue de fazê-lo. Este continua sendo o meu compromisso e o da presidenta Dilma.

Deputado Federal Elvino Bohn Gass PT-RS

Sérgio Vianna disse...

Alguns comentários de internautas no sítio do Deputado Federal Elvino Bohn Gass - PT-RS:

Lua Dallagnol Cezimbra disse:
25/05/2011 às 20:26

Me sinto extremamente decepcionada por ter votado, indiretamente (pelo seu voto), junto dessa maioria que se mostra a favor somente do acúmulo de capital e desenvolvimento desenfreado e inconsequente. Essa falsa ideia de que a alteração no Código privilegia os pequenos agricultores não justifica que se vote a favor de um “novo código ruralista” por que é isso que as alterações propostas fizeram com o “Código Florestal”.
Aqueles que defendem a agricultura familiar que respeita o meio ambiente tem um posicionamento bem claro quanto essa distorção: “Somos contrários às mudanças que venham prejudicar a agricultura familiar e camponesa. O relatório do Aldo é do agronegócio, dos desmatadores do meio ambiente”, disse, de cima do carro de som, Roseli Sousa, dirigente do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), na marcha contra o novo código que aconteceu na terça-feira (24).
Peço coerência no seu discurso Deputado.

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Fagner Garcia Vicente disse:
25/05/2011 às 20:40

Acompanhei todo o debate acerca do Código. Os avanços obtidos no relatório entre as duas votações foram significativos, especialmente pela inclusão do conceito de Agricultura Familiar. Contudo, com a emenda do PMDB (e com a derrota dos destaques do PV e do PT) esses avanços caíram por terra, pois os principais benefícios foram estendidos ao agronegócio. Isso era absolutamente previsível e a oposição ao Código como um todo é simbólica. Penso que foi um erro político, tanto da orientação da bancada, quanto dos deputados que votaram a favor.

Quanto ao mérito, creio ser um engano pensar a Agricultura familiar a partir dos parâmetros do agronegócio. Recomposição de APP e ARL pode ser, sim, um excelente negócio para os camponeses, desde que com prazos razoáveis e atrelados a políticas públicas concretas que garantam compensações. Uma legislação ambiental rigorosa confere vantagens competitivas ao agricultor familiar, que tem mais facilidade de produzir de forma sustentável. APP e ARL são, sim, necessárias, inclusive do ponto de vista econômico, sendo importantes para garantir disponibilidade de recurso hídricos, polinização, proteger contra a erosão e deslizamentos, além, é claro, de auxiliar no bem estar dos moradores do campo. Muitos agricultores que preservaram suas propriedades e militaram pela preservação junto aos seus vizinhos, agora se quedam desmoralizados, pois seu esforço, ao invés de premiado, está sendo penalizado.

Em que pese a justificativa – de resto, coerente -, continuo acreditando que o voto, apesar de honesto, foi equivocado.

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Michael disse:
26/05/2011 às 1:36

Estou profundamente decepcionado com o deputado federal que ajudei a eleger, depois de já ter votado nele em sucessivas eleições para deputado estadual. Sinto-me traído, pois votei nele justamente pela tradição de luta por causas ambientais, desde a época da discussão sobre a moratória dos transgênicos. Essa “justificativa” enrola e enrola, mas não consegue justificar o injustificável. Ele basicamente deu seu consentimento a essa afronta às florestas brasileiras. Sei que 1 eleitor é pouco, mas saiba que na próxima eleição terás pelo menos 1 eleitor a menos.

Sérgio Vianna disse...

E CARTA ABERTA AO POVO BRASILEIRO,

publicada no mesmo sítio do deputado gaúcho que é militante da agricultura familiar.

A carta é publicada pela internauta Marly Cuesta e vai assinada por muitas Entidades do setor ambiental e até pelo Ministério Público Estadual.

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Marly Cuesta disse:
25/05/2011 às 23:47

*CARTA ABERTA AO POVO BRASILEIRO*

Os representantes da Sociedade Civil e do Ministério Público dos Estados junto ao Conselho Nacional do Meio Ambiente, presentes na 102 ª Reunião Ordinária, vem manifestar profunda indignação diante da aprovação das alterações na Câmara Federal do Código Florestal Brasileiro, que enfraquecerá ainda mais a proteção das florestas, das águas, do ar, do solo, do clima, da biodiversidade, das populações em área de risco e da
agricultura sustentável.

A situação se reveste da maior gravidade face aos compromissos
internacionais assumidos pelo Brasil, pois ocorre às vésperas da Conferência Rio+ 20, considerando ainda a intensidade dos eventos climaticos por que passa o planeta, a perda acentuada de biodiversidade e a escassez progressiva dos recursos hídricos.

Diante dos fatos ocorridos no Congresso, tornou-se mais vulnerável o meio ambiente, as instituições e o Sistema Nacional do Meio Ambiente, cujo órgão maior é o Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA.

Por isso, retiramo-nos da sessão em protesto contra a fragilização dos instrumentos de gestao ambiental do País, deliberando por esta manifestação à Sociedade Brasileira, informando-a dos eminentes riscos a que estará submetida.

É momento da Sociedade Brasileira atuar de forma decisiva, fazendo valer os princípios constitucionais da proteção ao meio ambiente e da vida humana.

Brasilia, 25 de maio de 2011.

PROAM – Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental

FURPA – Fundação Rio Parnaíba

FBCN – Fundação Brasileira para a Conservação da Natureza

INGÁ – Instituto Gaúcho de Estudos Ambientais

ECODATA – Agencia Brasileira de Meio Ambiente e Tecnologia da Informação

MOVER – Movimento Verde de Paracatu

PONTO TERRA – Organização Ponto Terra

IDPV – Instituto Direito por um Planeta Verde

Ministério Público dos Estados

FUNATURA – Fundação Pró-Natureza

BIOESTE – Instituto de Biodeiversidade e Desenvolvimento do Oeste da Bahia

KANINDÉ – Associação de Defesa Etnoambiental

Com muita indignação, também subscrevo a Carta acima.

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Observação:

Revendo as explicações do nobre Deputado Federal Elvino Bohn Gass, do PT do Rio Grande do Sul, defensor dos interesses da Agricultura Familiar, percebe-se que a INGENUIDADE POLÍTICA abateu-se sobre os esforços pueris da (ao menos em parte) bancada do PT, além de outros partidos, é claro, defensores de um código mais equilibrado.

Imaginou o nobre Deputado, compartilhadamente com outros representantes do povo naquela Casa Legislativa, de que as emendas corretivas dos abusos resolveriam o problema geral do novo Código. Ledo engano. Basta ver as palavras finais do nobre parlamentar.

Foram derrotados por 50 votos faltantes à aprovação das respectivas emendas regularizadoras ao texto base de Aldo Rebello.

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Ingenuos. Votação dos destaques sempre é feita a toque de caixa. E não houve correção alguma.

Mas a luta continua, segundo o próprio Deputado. Agora aguardando um reposicionamento do texto em sua tramitação no Senado.

Vejamos a seguir.