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sábado, 17 de maio de 2014

Afinal, macumba é ou não religião

Essa é a grande polêmica que está motivando a esquerda brasileira. Tudo por que um juiz decidiu que macumba (candomblé, umbanda etc) não são religiões.

Eu fico imaginando o quanto de dinheiro público foi gasto com esta bobagem. Papelada, advogados, juízes e desembargadores se reunindo horas e horas tentando chegar a uma conclusão sobre assunto tão idiota.

Prática da imundície

E a esquerda brasileira, claro, está revoltada. "Preconceito!", brada a esquerdinha macumbeira. Os mesmos que vivem agredindo verbalmente os evangélicos. Os mesmo que colocam num mesmo saco todos os pastores pentecostais pelo fato de cobrarem o dízimo. Prática que está na Bíblia dos petistas.

É como se não existissem pais-de-santo picaretas. Talvez não saibam - os não praticantes - que ao lado de cada terreiro de macumba tem uma loja que vende vela, alguidares, galinha preta e até bodes. Não devem saber que a prática da macumba movimenta uma elevada soma de dinheiro com vários estabelecimentos comerciais que lucram com esse mesmo tipo de ignorância e atraso. As famosas casas de macumba.

Por essas e outras que a direita brasileira é tão ruim. Afinal, pra se opor a uma esquerda tão estúpida não precisa de direita nenhuma.

domingo, 19 de maio de 2013

O PT é o braço político da Igreja Católica no Brasil

Posto na fogueira por citar a Bíblia
Há meses estamos vendo o linchamento político e pessoal do deputado Marco Feliciano (PSC-SP). Isso vem acontecendo desde que ele assumiu a presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. Até então, uma comissão sem maior importância e que só entrou na ordem do dia após um deputado que também é pastor evangélico aceitar presidi-la.

Seu erro foi o de ter lido a Bíblia e seguir fielmente o que nela está escrito. Tudo o que ele prega está neste livro ridículo que serve como norma de conduta dos cristãos. E cristãos são os católicos, os evangélicos, os umbandistas e tantos outros ramos do Cristianismo. E os petardos vem principalmente de duas instituições profundamente católicas apostólicas romanas: o PT e a mídia tradicional.

Aparentemente, essa união de forças parece estranha. Afinal, os petistas – com toda razão – passam o dia todo nas redes sociais da internet baixando a lenha do que chamam de PIG, Partido da Imprensa Golpista. Mas surgiu um inimigo comum: o deputado evangélico Marco Feliciano. Cessem todas as discussões sobre mensalão, STF, Joaquim Barbosa e governos do PT desde 2003! Agora, as duas instituições católicas tem uma prioridade: o deputado Marco Feliciano (PSC-SP).

Para o leigo em política essa aliança soa estranha. Principalmente por que o partido do pastor-deputado é da base governista. Mas não importa. O mais importante é destruir a reputação do inimigo da Igreja Católica Romana. Homofóbico e racista são os dois adjetivos preferidos dos petistas e, de forma dissimulada - como é sua característica -, a chamada grande imprensa. Tudo por que, repito, o deputado Marco Feliciano teve a infelicidade de mexer num vespeiro chamado Igreja Católica Apostólica Romana. Daí seus guerreiros e generais, PT e grande imprensa, respectivamente, estarem tão furibundos contra ele.

O PT, fosse mais sincero, deveria acrescentar mais uma letrinha em sua sigla. Seria o PTC, Partido dos Trabalhadores Católicos. Mas isso não seria oportuno para um partido que se diz plural. Onde todos os credos, opções sexuais e até posições ideológicas são aceitos “sem patrulhamento”. Mentira. Se o militante não é católico ou, em não sendo, critica as aberrações desta religião maligna, é fritado em fogo brando. Tal qual se fazia na época da “Santa Inquisição”.

Muito pior do que citar os trechos mais estúpidos da Bíblia é a prática da pedofilia. E quanto a esta questão não se vê indignação equivalente por parte dos militantes católicos do PT. Muito pior do que palavras. A pedofilia é uma prática antiga dentro da Igreja Católica e só nos dias de hoje está sendo denunciada. Os bispos, quando é feita uma denúncia de pedofilia, apenas mudam o padre psicopata de paróquia e vida que segue. Mas, no Partido dos Trabalhadores (Católicos) paira quase silêncio.

Outras práticas criminosas igualmente são serenamente ignoradas pelos petistas. A corrupção institucionalizada no Vaticano, por exemplo. Banco Ambrosiano, mordomo do papa, envolvimento com a Cosa Nostra etc. não tem a mesma relevância que as palavras de um homem tosco e despreparado como o deputado Marco Feliciano.

Não vejo problema algum no fato de um partido ou jornal ser ligado a uma religião. É assim nos países europeus e, até que me provem o contrário, tudo caminha razoavelmente. O problema está em o PT não fazer o que cobra de seus detratores: dizer claramente que é católico.

Mas eu aqui faço um alerta: não pensem que os evangélicos vão ficar quietinhos levando cacetadas o tempo todo da militância católico-petista. Em 2014 poderá vir a resposta. Os evangélicos que, em sua maioria, apoiaram as três eleições ganhas pelo PT podem se irritar e atrapalhar a reeleição de Dilma. É sempre bom lembrar que nas três eleições citadas, os candidatos do PT tiveram que enfrentar um segundo turno. E aí todas esses xingamentos poderão ser cobrados com juros de mora altíssimos

segunda-feira, 2 de julho de 2012

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Taxista não admite que passageira seja ateia

A dura vida dos ateus em um Brasil
cada vez mais evangélico
Eliane Brum (*)

O diálogo aconteceu entre uma jornalista e um taxista na última sexta-feira. Ela entrou no táxi do ponto do Shopping Villa Lobos, em São Paulo, por volta das 19h30. Como estava escuro demais para ler o jornal, como ela sempre faz, puxou conversa com o motorista de táxi, como ela nunca faz. Falaram do trânsito (inevitável em São Paulo) que, naquela sexta-feira chuvosa e às vésperas de um feriadão, contra todos os prognósticos, estava bom. Depois, outro taxista emparelhou o carro na Pedroso de Moraes para pedir um “Bom Ar” emprestado ao colega, porque tinha carregado um passageiro “com cheiro de jaula”. Continuaram, e ela comentou que trabalharia no feriado. Ele perguntou o que ela fazia. “Sou jornalista”, ela disse. E ele: “Eu quero muito melhorar o meu português. Estudei, mas escrevo tudo errado”. Ele era jovem, menos de 30 anos. “O melhor jeito de melhorar o português é lendo”, ela sugeriu. “Eu estou lendo mais agora, já li quatro livros neste ano. Para quem não lia nada...”, ele contou. “O importante é ler o que você gosta”, ela estimulou. “O que eu quero agora é ler a Bíblia”. Foi neste ponto que o diálogo conquistou o direito a seguir com travessões.

- Você é evangélico? – ela perguntou.
- Sou! – ele respondeu, animado.
- De que igreja?
- Tenho ido na Novidade de Vida. Mas já fui na Bola de Neve.
- Da Novidade de Vida eu nunca tinha ouvido falar, mas já li matérias sobre a Bola de Neve. É bacana a Novidade de Vida?
- Tou gostando muito. A Bola de Neve também é bem legal. De vez em quando eu vou lá.
- Legal.
- De que religião você é?
- Eu não tenho religião. Sou ateia.
- Deus me livre! Vai lá na Bola de Neve.
- Não, eu não sou religiosa. Sou ateia.
- Deus me livre!
- Engraçado isso. Eu respeito a sua escolha, mas você não respeita a minha.
- (riso nervoso).
- Eu sou uma pessoa decente, honesta, trato as pessoas com respeito, trabalho duro e tento fazer a minha parte para o mundo ser um lugar melhor. Por que eu seria pior por não ter uma fé?
- Por que as boas ações não salvam.
- Não?
- Só Jesus salva. Se você não aceitar Jesus, não será salva.
- Mas eu não quero ser salva.
- Deus me livre!
- Eu não acredito em salvação. Acredito em viver cada dia da melhor forma possível.
- Acho que você é espírita.
- Não, já disse a você. Sou ateia.
- É que Jesus não te pegou ainda. Mas ele vai pegar.
- Olha, sinceramente, acho difícil que Jesus vá me pegar. Mas sabe o que eu acho curioso? Que eu não queira tirar a sua fé, mas você queira tirar a minha não fé. Eu não acho que você seja pior do que eu por ser evangélico, mas você parece achar que é melhor do que eu porque é evangélico. Não era Jesus que pregava a tolerância?
- É, talvez seja melhor a gente mudar de assunto...

O taxista estava confuso. A passageira era ateia, mas parecia do bem. Era tranquila, doce e divertida. Mas ele fora doutrinado para acreditar que um ateu é uma espécie de Satanás. Como resolver esse impasse? (Talvez ele tenha lembrado, naquele momento, que o pastor avisara que o diabo assumia formas muito sedutoras para roubar a alma dos crentes. Mas, como não dá para ler pensamentos, só é possível afirmar que o taxista parecia viver um embate interno: ele não conseguia se convencer de que a mulher que agora falava sobre o cartão do banco que tinha perdido era a personificação do mal.)

Chegaram ao destino depois de mais algumas conversas corriqueiras. Ao se despedir, ela agradeceu a corrida e desejou a ele um bom fim de semana e uma boa noite. Ele retribuiu. E então, não conseguiu conter-se:

- Veja se aparece lá na igreja! – gritou, quando ela abria a porta.
- Veja se vira ateu! – ela retribuiu, bem humorada, antes de fechá-la.
Ainda deu tempo de ouvir uma risada nervosa.

(*) - Jornalista, escritora e documentarista. Ganhou mais de 40 prêmios nacionais e
internacionais de reportagem. É autora de um romance - Uma Duas (LeYa) - e de três livros de reportagem:Coluna Prestes – O Avesso da Lenda (Artes e Ofícios), A Vida Que Ninguém Vê(Arquipélago Editorial, Prêmio Jabuti 2007) e O Olho da Rua (Globo).

E codiretora de dois documentários: Uma História Severina e Gretchen Filme
Estrada.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

O voto da fé

O texto que eu copicolei e está aí embaixo tem lá suas virtudes, mas eu acho que o autor centra muito mais críticas nos evangélicos.

Com relação ao projeto do senador Crivella: acho um absurdo que o estado financie obras, reparos etc, sob qualquer pretexto, em templos religiosos. Mas, se vale pra Igreja Católica, tem que valer pra todas. Aí eu concordo com o senador. Inclusive porque expõe a aberração que é essa Lei Rouanet canalizando recursos exclusivamente para pedófilos.

Canalização Religiosa do Voto Popular


Não é de hoje que bispos, padres e pastores abusam de sua autoridade religiosa e canalizam o voto dos eleitores, principalmente dos mais humildes. Nos anos 1930, o cardeal Leme organizou a Liga Eleitoral Católica, formada pelos candidatos que apoiavam a plataforma política da Igreja. Aqueles que o fizessem, recebiam a chancela de poderem receber votos dos católicos. Nos demais, os fiéis estavam proibidos de votar. A idéia dos católicos dos anos 30(*) de formarem um Partido Católico foi deixada de lado, assim como fracassou a tentativa de sua atuação na política pela via de um Partido Democrata Cristão. Mas, recentemente, o Partido Republicano Brasileiro foi criado justamente com base em uma frente de Igrejas Evangélicas.

(*) nota do blogueiro: foi nessa época que construíram a abominável estátua do Corcovado.

Em diversos partidos, cresce o número de candidatos que fazem de seu status religioso elemento de marketing político-eleitoral, incorporando o título religioso ao seu nome – pastor X, padre Y, missionário Z, bispo T. Mas, não nos enganemos, se essa prática é hoje mais comum nos meios evangélicos, ela originou-se entre os católicos. Se não houve bispos parlamentares no período republicano, muitos padres mantiveram o título religioso como parte de seu nome próprio.

Aqui vão dois exemplos. Em 2002 o Estado do Rio de Janeiro elegeu senador o bispo Marcelo Crivella, da Igreja Universal do Reino de Deus; em 1994 o Estado do Paraná elegeu deputado o padre Roque Zimermann, da Congregação dos Missionários da Sagrada Família. Que importância prática tem isso ? Muita.

O bispo-senador Crivella apresentou projeto de lei, em tramitação, modificando a “Lei Rouanet”, de 1991, que beneficia museus, bibliotecas, arquivos e entidades culturais, com parte dos recursos do imposto de renda devido pelas empresas. Pelo projeto do bispo-senador, os “templos de qualquer natureza ou credo religioso” também seriam beneficiados por esses recursos, já parcos para a cultura. Ou seja, as atividades religiosas seriam beneficiadas, diretamente, pelos recursos financeiros provenientes da renúncia fiscal. Além delas já desfrutarem da isenção fiscal, por dispositivo constitucional, receberiam uma injeção direta de recursos devidos pelas empresas ao Estado.

A versão integral do texto está AQUI.